sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Silencia

"Saiba também calar-se para não se perder em palavras"
Clarice Lispector

Ansiedade, mal deste século. 
Mal daqueles que só esperam  pelo que virá
Sem estar pronto para o que aqui está.
Na ansiedade não paramos pra ler, pra entender...
Na ânsia não observamos o outro, não lemos o semelhante, 
Não há semelhança.
Tempo,
Tudo urge!

Acostumados a respostas prontas nos ataviamos aos  "saiba que..." 
Nos atamos ao vicio de responder, 
Como se pra tudo houvesse resposta.
Como se para cada sensação existisse uma palavra posta.
Mas e o silêncio involuntário? Onde está o instante mudo, calado?

Sem palavras caminhamos, 
Mesmo falando somos mudos, 
mesmo sabendo somos leigos, 
mesmo sentido somos nada.
Por que nem [o] tudo tem resposta, nem a vida está disposta a sinalizar o caminho.
Se fazer saber é todo dia 
é no silêncio ou na agonia,
é no descanso e na alegria... é às vezes no "sem palavras" e  no sem melodia. 
É quando - a gente sem querer se perder em palavras - se silencia.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Indicifrável

Passo, permite largo
Sonhos se tornam reais
Ouro e ventura são coisas diferentes
Mas em ambas "coisas" estais

Efeito - permanente 
Reações medicamentosas me assustam
Mas há riso, há cuidado
Mesmo quando uivam 

Sentinela do meu ser as vezes se descuida, eu acho
Por quanto tenho medo,
Por quanto mantenho a luz acesa,
Embora o dia não apareça,

Tão logo me encaixo em crer.
Que as lutas terrenas só aqui na Terra as hei de viver,
Por que depois será com no sonho, acordado ou não, disponho
a sentir-me indecifrável.



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sigo a te amar e perguntar...




A cada dia Tu me cercas com um amor que faz estremecer a minha  humana estrutura frágil.
Um amor que chocou a humanidade, que constrangeu os poderosos, que deu perdão e liberdade aos mais natos devedores. Devedores como eu.
Um amor que me escolheu sem mesmo merecer.

Esse amor me alcançou, me foi doado!
Doado, entregue nas minhas mãos.
Esse amor extrapola as paredes de qualquer academia ou construção de saber, 
Confunde os sábios, e que me confunda se eu quiser só construir saberes...

Esse amor se derrama como cálice que transborda, é sobejante, para quem o quiser.
Eu quis! Mas só foi isso, por que todo resto foi o Você que quis....
Externo meu amor - o meu profundo e mais genuíno amor -  a quem me amou primeiro. 

A cada dia enxergo Tuas fortes mãos conduzindo o meu caminhar, em cada escolha em cada não,  e a cada novo amanhecer.
Enxergo a Tua fiel amizade, a tua fiel companhia - essa não se finda, não erra,  e não falta!
Enxergo que a Ti devo tudo... mas sem "dever" sabe, por que é um prazer te dever algo....
Te devo minha vida!

Sigo a te amar e perguntar, porque nunca vou entender  - Jesus, que amor é esse?!




quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Desde ontem

Desde ontem saí de um estado contemplativo.
Turvas vistas, esquivavam de mim o real (...)
Torno a me enxergar.

Desde ontem não sou franca
Desde ontem aprendi a não acreditar
Desde de ontem o descrédito - não o pejorativo, mas o sadio se é que ele existe, passou a me visitar.

Vistas turvas de monitor!
Vistas turvas de fotografia!
Vistas turvas!
Não estão mais aqui e desde essa hora  eu posso ver.
As pessoas não são ruins,  más,  fieis ou desleais, dualidades estáticas,
As pessoas são humanas.

Desde ontem sou sá.
Desde de ontem sou mais humana.
Desde ontem fujo de qualquer discurso "efeito porcelana".

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

palavras

Medida,
sonho,
espaço,
todo e
medo.

Planos no horizonte,
vista,
intento,
Todos juntos embricados na arte que é se reinventar.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Conversa

Desentoa, arde e seca.
Balbucia, exprime e grita
Indo e vindo são as fases da vida.
Meu bem querer as vezes o vida golpeia você,  e como diz Clarice " nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza " 
Entretanto viver é substância essencial, é do que somos feitos.
Chore sim, as lágrimas que te regam nunca rolam em vão.

Meu bem quer uma dia vocês hão de entender que este plano é muito inferior
O alto foi Deus que criou.
Chore sim, as lágrimas que se derramam te despedem de mim

E logo quando tudo passar - tuas lágrimas distas, teu olhar de saudade e dor
as linhas tortas hão de se endireitar (...)
O que fica na lembrança, são os risos, a alegria e a aquilo que te substancia: a fibra do viver meu bem querer.